10/09/2020 16h40 - Atualizado em 10/09/2020 16h42

10 de setembro: "Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio"

Entrevista com Camila dos Reis Feitosa, Assistente Social do CAPS - Centro de Atenção Psicossocial da Secretaria de Saúde de Santa Fé do Sul.

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza nacionalmente o “Setembro Amarelo”, sendo hoje, dia 10 de setembro, oficialmente, o ”Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”. Esta campanha é de fundamental importância por destinar um mês todo a um problema que não pode ser deixado de lado em nenhum dos doze meses do ano.

O suicídio é a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 entre meninas (atrás apenas de complicações na gravidez) e a terceira entre meninos (perdendo para violência e acidentes de trânsito) no mundo, sendo que 79% dos casos se concentram em países de baixa e média renda (OMS, 2019).

O site informamais entrevistou Camila dos Reis Feitosa, Assistente Social do CAPS – Centro de Atenção Psicossocial da Secretaria de Saúde de Santa Fé do Sul que fez algumas reflexões sobre o "Dia Mundial de Combate ao Suicídio" - 10 de setembro.

“O transtorno psiquiátrico e os distúrbios mentais que levam ao suicídio ainda é um tabu a ser vencido, e verifica-se a falta de aceitação de familiares, e da própria pessoa que está passando pelo problema. É preciso que as pessoas vitimas por estes transtornos e a própria família do paciente procure ajuda e o CAPS é um órgão de saúde que está exclusivamente dedicado a estes pacientes, disse Camila em entrevista ao Boletim Informativo do Informamais/Interativa Web TV, nesta manhã.

A Assistente Social ressalta que além do CAPS, a população precisa ficar atenta dentro de suas casas, observar o ente querido, com amigos próximos e dialogar com essas pessoas que apresentam sintomas depressivos. “A depressão é uma doença grave, silenciosa, mas alguns sintomas pode ser perceptível pela família ou amigos, como isolamento social, conflito vivenciado com a perda de emprego, ou termino de relacionamento amoroso/conjugal, e além dos transtornos mentais, o usuário de drogas que não consegue deixar o vício também pode provocar reações inesperadas inclusive a tentativa de suicídio”, disse Camila.

Camila Reis lembra que o CAPS possui uma equipe especializada trabalhando o ano todo, não apenas com atendimento psicológico/psiquiátrico, mas também realiza o acolhimento, ouvindo e dialogando com esses pacientes. “Essas pessoas precisam falar sobre os problemas que elas estão vivendo e assim reunir forças para melhorar sua condição de vida, e essa é uma prestação de serviços que oferecemos”.

Os problemas enfrentados por pessoas que estão passando por algum conflito com consequência psicológicas graves, elas precisam tem alguém para conversar e externar suas aflições e minimizar os efeitos destes problemas, não formando uma bola de neve a ponto de ser tornar uma problema irreversível, por isso é necessário a procura de um profissional para auxiliá-lo. “Depressão não é frescura, nem falta de fé, não é uma bobagem, é preciso dar importância a esta doença. Se verificar alguma pessoa calada, quieta é seu canto, não tire chacota, não julguem como uma bobagem, tentem ouvir estas pessoas que muitas vezes tem vergonha de procurar ajuda, procurem abraça-las e principalmente atenção”, disse a Assistente Social.

O CAPS de Santa Fé do Sul está localizada na Rua 16 entra as ruas 17 e 19 no centro da Cidade, e atende pacientes a partir dos 15 anos de idade, com dois psiquiatras, enfermeiras, psicólogo  e assistente social. Os atendimentos aos pacientes são feitos necessariamente com um acompanhante.

Segundo levantamento, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida e a cada 3 segundos alguma pessoa atenta contra a própria vida! Neste momento de pandemia e de distanciamento social, alguns estudos têm apontado para o aumento destes números, exigindo ainda mais atenção. Qualquer pessoa pode cometer suicídio, porém alguns fatores aumentam
esses riscos. São eles:
– Abuso sexual na infância;
– Alta recente de internação psiquiátrica;
– Doenças incapacitantes;
– Impulsividade/Agressividade;
– Isolamento Social*;
– Histórico de suicídio na família;
– Tentativa anterior de suicídio;
– Doenças Mentais;