14/02/2016 11h41 - Atualizado em 14/02/2016 11h50

Jales /Relatório de CEI da Merenda Escolar conclui prejuízo de R$770 mil aos cofres públicos

Empresas de mesmos donos participaram de licitação que pode ter sido forjada para reajustar valores em 25%

O relatório final da chamada CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Merenda Escolar de Jales, que investigou supostos malfeitos no fornecimento da alimentação escolar durante o governo Nice Mistilides será lido na sessão dessa segunda feira (15) durante a sessão ordinária do poder legislativo.

Os vereadores que integraram a Comissão, Gilberto Alexandre de Moraes (DEM), Júnior Rodrigues (PSB) e Luís Rosalino (PT), já adiantaram alguns pontos durante entrevista coletiva durante a semana que terminou. A investigação aponta irregularidades na licitação e prejuízos de R$ 770 mil.

A CEI da Merenda Escola de Jales foi instalada em junho de 2015 e depois de ouvir 19 testemunhas, apontou que houve um suposto direcionamento da licitação feita pela administração Nice, em 2014, além de um possível prejuízo causado aos cofres públicos, calculado em R$770 mil.

Em entrevista concedida à imprensa de Jales, na semana passada, os integrantes da CEI da Merenda, disseram que a ex-prefeita Nice Mistilides e o ex-chefe de e gabinete da Secretaria de Fazenda, Adriano Lisboa, teriam sido os principais responsáveis pelos supostos prejuízos causados à Prefeitura.

De acordo com o vereador Rosalino, Nice disse “que não viu nada e que não fez nada”. Durante interrogatório a ex-prefeita Nice, disse que não sabia quem comandava o setor de licitações e que não conhecia os representantes da empresa Dela Fattoria.

Segundo o relator Luis Rosalino (PT), os dois juntamente com as empresas Básica Ltda e a Dela Fattoria Ltda, teriam concorrido para a realização de uma licitação forjada com o intuito de proporcionar um reajuste de 25% no valor da merenda escolar servida aos alunos.

A investigação do legislativo jalesense “aponta que a Básica e a Dela Fattoria são empresas do mesmo grupo e que a licitação foi feita com o objetivo único de proporcionar mais lucro para a empresa”, disse o relator em entrevista.

Os vereadores apuraram que o valor gasto pela prefeitura com a merenda escolar em 2014 significa exatamente o dobro do que foi gasto em 2011, quando a merenda escolar custou cerca R$1,5 milhão aos cofres do município. Em 2012, quando a Básica Ltda substituiu a Starbene Ltda, os gastos subiram para R$2,2 milhões, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior.

Em 2013, primeiro ano da atual administração, a prefeita Nice concedeu um reajuste de 7,5% nos preços das refeições e os gastos com a merenda escolar saltaram para quase R$2,6 milhões, um crescimento superior a 12%. Em 2014, os gastos cresceram 16%, chegando a R$3 milhões, para, finalmente cair um pouco em 2015,quando foram gastos R$2,8 milhões.

Após ser lido na sessão da Câmara desta segunda feira (15), o relatório será encaminhado para o Ministério Público.

(com Valdir Cardoso/Jornal A tribuna)