03/08/2020 19h38 - Atualizado em 03/08/2020 19h38

Lorenzo Longhi relembra histórias engraças nos seus 50 anos de Ordenação Sacerdotal

Capitulo narra algumas passagens engraçadas narradas pelo Padre.

Ao contar e narrar seus 50 anos de Ordenação Sacerdotal, o Pe. Lorenzo Longhi que vei da Italia para o Brasil em 1970, e ha anos está em Santa Fé do Sul, não esqueceu de relembrar "historias engraçadas" que ficarão registradas para sempre em sua memória. Neste capitulo Lorenzo contou algumas delas ao site informamais.

HISTÓRIAS ENGRAÇADAS

Na primeira viagem apostólica no sertão, também foi marcada por fatos engraçados.

Bom, eu nunca havia dormido em uma rede, nem conhecia, na primeira noite em que isso aconteceu eu e as pessoas da casa que fiquei, mais pareciam morcegos dependurados.

A minha rede era de garimpeiro, lisa e pequena, nela não conseguia me ajeitar, que sofrimento. A noite me levantei e fui “tirar água do joelho”, na volta ao deitar, pensava que a mesma estivesse apoiada atrás de mim, triste engano, ligeiramente ela se escapou de mim, e ...caí feito maduro no chão! Que pancada nas costas! Motivo geral de piada: “o padre caiu da rede, e todos “riram à vontade na minha cara”.

Desisti da rede nestas viagens, levava o colchão! Dormia no chão sem problemas, pois já não sabia se as redes não gostavam de mim, ou se eu delas. Lembro que uma noite acordei e vi ao meu lado um baita de um sapo, este era bem-criado, graúdo, que imóvel me olhava como uma sentinela ali me protegendo.

Outra vez colocava o colchão em cima de três bancos. Perceba que eu já havia um histórico de lutas para garantir boas noites de sono, e mais uma vez medi o chão, num tombo magistral, dessa vez para a surpresa, tinha ao meu lado um burro que me fez companhia!

Uma vez dormi numa cama (melhor não falar das condições          dela) que uma senhora, me hospedando, me ofereceu. Durante a noite ouvia a “voz” das pererecas, aquele coaxar ia me incomodando tanto que fui tampando todos os buracos que tinham nas paredes, mas nada, o canto delas me fez companhia a noite toda. Quando levantei pela manhã e ao arrumar a cama, surpresa, as pererecas estavam debaixo do colchão! Literalmente ficaram ali curtindo o meu calor.... Que beleza.

 No sertão, quando eu realizava casamentos, não ficava na festa, me afastava uns bons quilômetros, e assim de longe, garantia minha segurança. Calma que explicarei: o povo nesses lugares tomava muita pinga, desequilibrava, ficava muito bêbado e alterava os ânimos.

Aí na casa não tinha energia, pode imaginar a confusão durante a noite, no escuro, o pessoal deitava por ali mesmo, e na escuridão aconteciam coisa estranhas!

Homens procurando mulheres e mulheres homens, aí não prestava, ambiente propício para brigas feias na base de facas. Eu não queria estar no meio, porque também as mulheres podiam ...me procurar!!! (kkk).

Um dia a minha Toyota me deixou na mão; a embreagem arrebentou! Tive que ficar esperando socorro, podia esperar dias que não iria passar ninguém.

Havia um advogado de São Paulo, assumindo o papel de fazendeiro. Ele tinha um mecânico pessoal, e indo pedir ao fazendeiro ajuda, olha o que me falou: “Para mim o padre pode ficar um ano todo no sertão, não iria ajudar de jeito nenhum” (sem educação e grosso), eu respondi prontamente a ele: “Não se esqueça que no sertão uma mão lava a outra, hoje eu, amanhã você!”. Mesmo assim ele me deu o fora, mas acabei tendo a ajuda de um mecânico de Palmas.

Pois bem, ele fez na região um grande investimento, expulsou gente da fazenda dele, e trouxe gado nelore! Se deu mal! O gado acabou morrendo, infelizmente não suportou o clima do sertão. Perdeu tudo portanto o fazendeiro e não tardou foi embora daquela região.

Havia neste sertão um costume esquisito, nas festas do padroeiro da comunidade, o rapaz que ficasse olhando para uma moça, era suficiente para pedi-la em casamento, pois é, e este casamento se chamava de “QUEIMA”.  Fui logo percebendo que isso nada tinha a ver com os bons costumes, rapidinho quebrei este costume!

Sempre que podia eu tomava banho nos rios ou nos córregos (água bem limpinha). Tinha horários para banhar, primeiro as mulheres e depois os homens. Na cidade o banho era de caneca. Era sempre uma grande aventura viajando de JEEP, passava por muitos córregos ao longo da pista que na época das chuvas enchiam demais, aí tinha que esperar que abaixasse o nível da água. Sempre com paciência, as vezes dava para chegar na cabeceira do córrego e passar.

Perto da Bahia fui celebrar numa fazenda, onde chegaram umas      famílias trazendo os filhos para receber o batismo. Pessoal veio mesmo de longe ao ficar sabendo da visita do padre. Arrumamos bem bonitinho o altar debaixo dum pé de manga, esperei um pouco para que as mães ajeitassem os filhos e observando a quantidade de mangas perguntei para o pessoal se estava seguro debaixo daquela árvore. Naturalmente a resposta: “Padre pode ficar sossegado que não vai acontecer nada”, porém, após essas últimas palavras, só senti a pancada no ombro, que dor! Uma enorme manga despencava com força, acertando em cheio meu ombro.  Já pensou se tivesse caído na cabeça? Pois é, fui tratando de tirar o altar logo dali e o coloquei na frente da porta da casa.