Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (26) a delegada Dra. Karla Cristina, da Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul, apresentou detalhes sobre a investigação do crime de feminicídio que vitimou uma jovem de apenas 17 anos, ocorrido na madrugada de domingo, 22 de junho.
A ocorrência teve início ainda no plantão policial, conduzido inicialmente pela equipe do delegado Dr. Nilton Cangussu, que atendeu o caso logo nas primeiras horas da manhã, quando a vítima deu entrada no pronto atendimento da Santa Casa já sem vida. O principal suspeito é o companheiro da vítima, identificado como Eduardo Doce, que foi preso em flagrante após apresentar versões contraditórias sobre o ocorrido.
Segundo a delegada, o autor alegou que teria saído de casa por volta das 5h da manhã para comprar um salgado, momento em que teria escutado um estampido semelhante a um tiro. Ao retornar, encontrou a companheira ferida, caída no chão. Contudo, a investigação constatou várias inconsistências: não havia nenhum comércio aberto no horário relatado, não havia sinais de arrombamento na residência, e quem acionou o resgate foi a Polícia Militar — não o próprio investigado, como ele afirmou.
Ainda segundo a delegada Karla, a cena do crime não apresentava sinais de luta corporal, e a posição da vítima indica que ela tentou se proteger ou implorou pela vida no momento do disparo. Um detalhe que chamou a atenção foi a presença de uma faca nas mãos da jovem, sem vestígios de sangue, o que pode indicar que o objeto foi colocado após o crime na tentativa de simular uma reação da vítima.
A arma de fogo não foi localizada no local inicialmente, apenas a caixa de uma suposta arma de airsoft. Contudo, após diligências e trabalho de inteligência da equipe da DDM, a arma utilizada no crime foi localizada: um revólver calibre .38, com cinco munições e uma deflagrada, e que a perícia irá verificar se é compatível com o projétil retirado do crânio da vítima no exame necroscópico. A polícia ainda recebeu o testemunho sigiloso de uma pessoa que afirmou ter recebido a arma das mãos do autor na madrugada do crime, a pedido dele, como forma de ocultar provas.
A delegada também confirmou que o suspeito tem diversas passagens pela polícia, incluindo crimes de violência doméstica, furto, roubo e tráfico de drogas. Está sendo investigado supostos vídeos em rede sociais, onde ele aparece exibindo arma de fogo, segundo relatos.
Durante a entrevista, Dra. Karla fez um apelo à população para que denúncias de violência doméstica sejam feitas com urgência, mesmo que não haja registros anteriores, como no caso da vítima.
“Se houvesse um registro anterior, talvez essa vida pudesse ter sido salva. Relatos familiares apontam que ela já vinha sofrendo ameaças e relatou que ele possuía arma de fogo. Toda denúncia deve ser levada a sério. Procurar a Delegacia de Defesa da Mulher pode salvar vidas”, destacou.
A reconstituição do crime está marcada para segunda-feira (30), às 10h, e contará com a presença do investigado, que é obrigado a comparecer, mas pode optar por não participar ativamente da simulação.
O caso segue em investigação pela DDM de Santa Fé do Sul, que aguarda a conclusão dos laudos periciais e balísticos para confirmar, com base técnica, todos os elementos do crime. A delegada reforçou que o trabalho da equipe é firme e comprometido em buscar justiça para a jovem e para a família, além de dar uma resposta à sociedade diante de mais um caso cruel de feminicídio.

