A Justiça decretou a prisão preventiva do investigado O.C.A.P., de 38 anos, preso em flagrante durante a Operação “Colateral”, deflagrada pela Polícia Civil de Santa Fé do Sul. A ação tem como foco o combate ao comércio ilegal de “canetas emagrecedoras” e substâncias correlatas, ofertadas principalmente por redes sociais e aplicativos de mensagens.
A decisão foi confirmada após audiência de custódia realizada em Araçatuba, mantendo o investigado preso. Segundo as autoridades, a medida cautelar visa garantir a ordem pública e assegurar a regularidade da instrução criminal enquanto as investigações continuam.
Trabalho estratégico e integrado da Polícia Civil
A Operação “Colateral” é resultado de inquérito instaurado há pouco mais de um mês, que apura a comercialização clandestina de produtos anunciados como tirzepatida e substâncias similares, introduzidos no Brasil sem controle sanitário e sem garantia de procedência.
Nesta fase da operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. O objetivo foi localizar medicamentos, dispositivos, embalagens, registros de venda e outros elementos que auxiliem na identificação da cadeia de fornecimento.
A atuação foi coordenada pelos Delegados de Polícia Higor Vinícius Nogueira Jorge, Marcelo Sales França e Matheus Arnaldo Pereira da Silva, com participação de policiais civis da CPJ de Santa Fé do Sul, além de equipes da DISE, DIG e da Delegacia Seccional de Polícia de Jales.
A ação demonstra o empenho técnico e investigativo da Polícia Civil no enfrentamento de crimes que impactam diretamente a saúde pública e a segurança da população.
Materiais apreendidos fortalecem as investigações
Durante as diligências que culminaram na prisão, foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro em espécie, seringas e agulhas, além de frascos e ampolas identificados como “tirzepatida”.
Todo o material será submetido à análise pericial e às providências legais cabíveis. A Polícia Civil também busca apreender registros de vendas, conversas em aplicativos, comprovantes de envio e recebimento, bem como elementos que apontem a origem das substâncias e possíveis intermediários na distribuição.
Risco concreto à saúde pública
A operação recebeu o nome “Colateral” justamente em razão do risco concreto à saúde pública provocado por esse mercado clandestino.
Por se tratar de produto sem rastreabilidade e sem controle oficial, não há garantia sobre a substância efetivamente aplicada, sua concentração, diluentes utilizados ou as condições de fabricação e armazenamento. Entre os principais riscos apontados pelas autoridades estão:
Possível falsificação ou adulteração das substâncias;
Contaminação por manuseio inadequado;
Transporte e armazenamento sem refrigeração adequada;
Aplicação de produto com composição e dosagem desconhecidas.
O uso de substâncias injetáveis adquiridas de forma irregular pode provocar reações adversas graves e danos irreversíveis à saúde.
Possíveis enquadramentos criminais
No âmbito criminal, conforme o avanço das investigações, os fatos podem configurar, em tese, crimes como contrabando e delitos relacionados à comercialização de produto terapêutico ou medicinal irregular, sem prejuízo de outras infrações eventualmente conexas.
A Polícia Civil ressalta que a tipificação final dependerá da conclusão das diligências, dos laudos periciais e da análise do conjunto probatório.
Alerta à população
A Polícia Civil orienta que a população não adquira medicamentos por redes sociais, grupos de mensagens ou vendedores informais.
Medicamentos devem ser adquiridos exclusivamente em estabelecimentos regularizados, com prescrição médica e acompanhamento profissional quando exigido. A compra de produtos clandestinos, especialmente substâncias injetáveis, representa risco real à vida e à saúde.
A instituição reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima, contribuindo para o combate a práticas ilegais e para a proteção da saúde coletiva.
